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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Mês da Bíblia

Setembro, mês da Bíblia!

  Palavra do Arcebispo

A cada ano, a Igreja Católica no Brasil considera setembro como o “Mês da Bíblia”. Dom José Antônio Peruzzo, arcebispo de Curitiba e responsável na CNBB pela Ação Bíblica e Catequética, afirma: “Graças ao bom Deus, a cada ano vemos crescer nas comunidades de fé o gosto e o sadio anseio por conhecer a Palavra de Deus. Não é apenas curiosidade. É muito mais do que isso: há no coração de nossa gente um secreto desejo de sentido e de esperança. Há uma busca sincera e singela de experiências de fé. Nosso povo quer sentir a proximidade de Deus”.
 No contexto social e político que o Brasil vive nesse momento, é muito oportuno que, para o mês da Bíblia de 2016, a CNBB tenha escolhido como tema “Para que nele nossos povos tenham vida” e o lema “”Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”. Ao menos para os cristãos,  essa palavra aponta um caminho de saída para esse momento de crise nacional.

Essas palavras que parecem tão atuais foram proferidas no século VIII antes de Cristo, por um lavrador pobre, escolhido por Deus para ser profeta, isso é, porta-voz da palavra divina. Esse homem era membro de uma pequena comunidade e alguém desse grupo que sabia escrever registrou em um pequeno livro essas profecias. Nas nossas Bíblias, o livro de Miquéias está no meio dos “pequenos profetas”, pelo fato do seu texto ser breve, apenas sete capítulos. No entanto, ele foi um dos importantes profetas de Israel. Todos os cristãos conhecem uma profecia de Miquéias, citada pelo evangelho. No tempo em que Jesus nasceu, quando o rei Herodes perguntou aos professores da Bíblia onde o Messias haveria de nascer, esses responderam: “Em Belém de Judá, conforme está escrito no profeta Miquéias”. De fato, Miquéias havia ensinado ao povo que, nos momentos de crise, a salvação não viria das pessoas importantes e sim da pequena comunidade, fiel ao projeto divino. A mensagem de Miquéias se resume na palavra tomada como lema desse mês da Bíblia: “Ó ser humano, já foi te explicado o que é bom e o que Deus pede de você: praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar simplesmente com teu Deus” (Mq 6, 8).

O livro de Miquéias é simples e de leitura fácil. Para ajudar  a quem quiser compreender melhor o livro de Miquéias, a CNBB publicou bons subsídios que estão à disposição no site: www.edicoescnbb.com.br

A leitura dessa profecia insiste que o direito dos pobres seja preservado e que quem crê em Deus, sempre os defenda e tenha certeza de que Deus se manifestará sempre a favor dos pobres e injustiçados.

Abençoado e proveitoso mês da Bíblia para todos e todas!

Dom Antônio Fernando Saburido
Arcebispo de Olinda e Recife

domingo, 14 de agosto de 2016

“Misericordiosos como o Pai”


Esse é o tema proposto pela CNBB para o mês vocacional nesse ano do jubileu extraordinário da misericórdia. Essa palavra do evangelho (Lucas 6, 36) nos situa diante da vocação comum de toda pessoa humana e mais especificamente de todos nós que somos batizados. De fato, é porque descobrimos a misericórdia de Deus para conosco que nos sentimos chamados a viver essa mesma misericórdia uns com os outros e tomamos consciência de nossa vocação cristã no mundo atual e como Igreja.
No mundo atual, a sociedade dominante apregoa que tudo tem seu preço e as pessoas são induzidas a procurar carreiras que deem dinheiro e lhes garantam sucesso e poder. Na contramão disso, encontramos muitos irmãos e irmãs que se dispõem com generosidade a doar suas vidas aos outros e a testemunhar o Reino de Deus germinando e crescendo no meio de nossas comunidades. Somente motivações psicológicas e menos ainda interesses sociais e econômicos não seriam suficientes para justificar tal opção. Por isso, mesmo sem descartar que possam existir possíveis razões humanas e psicológicas, cremos com firmeza que, por trás de jovens que apostam suas vidas no serviço do Reino de Deus há uma vocação – um chamado do Pai e uma inspiração forte do Espírito Santo. O apóstolo Paulo insistia que ninguém é capaz de confessar: “Jesus é o Senhor”, se não for movido pelo Espírito. Por trás de toda vocação eclesial, é o próprio Espírito que opera para a edificação do bem comum na Igreja, corpo de Cristo (Cf. 1 Cor 12).
Por isso, é importante que valorizemos agosto como o mês das vocações. O objetivo é motivar a oração de todos pelas vocações e aprofundar a nossa vocação comum como fruto da misericórdia do Pai. Todos os batizados recebem a vocação para seguir Jesus no seu testemunho do reino do Pai e fazem isso ao inserir-se no serviço à Igreja, seja como fiéis leigos/as, discípulos e missionários, seja na vida consagrada ou especificamente nos ministérios ordenados de diácono e de presbítero (padre) a serviço do evangelho.
A Pastoral Vocacional da CNBB publicou no seu site subsídios que, durante o mês de agosto, podem ajudar para aprofundarmos esse tema em três encontros: 1. a vocação nasce na Igreja. 2. a vocação cresce na Igreja. 3. A vocação é cultivada (portanto amadurece) na Igreja. Também nas próprias celebrações dominicais, é sugerido que no domingo 07 de agosto, possamos dedicar nossa oração e reflexão à vocação dos ministérios ordenados (padres e diáconos). No domingo 14 de agosto, reflitamos sobre a vocação matrimonial – todo casal tem como vocação ser imagem e testemunha do amor de Deus pela humanidade. No domingo 21, podemos meditar sobre a vocação própria dos religiosos e religiosas na Igreja e, finalmente, no domingo 28, aprofundar a vocação própria e importante dos homens e mulheres que como fieis leigos/as, são discípulos missionários do evangelho de Jesus.
Em toda a Bíblia, toda vocação nasce e pode se desenvolver porque homens e mulheres escutaram, ou como uma voz interior, ou através dos acontecimentos da vida, uma palavra divina que os chamou. Conforme a palavra bíblica, antes de Abraão acreditar em Deus, foi o próprio Senhor que acreditou em Abraão e mesmo vendo-o velho e frágil, o chamou para uma missão nova e exigente. Também Moisés teve dificuldade de aceitar sua vocação, mas não teve como dizer não ao ver que Deus confiava nele. Antes que creiamos em Deus é o próprio Deus que crê em nós, aposta em nós e nos chama para uma missão bela e desafiadora. No chamado aos discípulos, o evangelho conta que um discípulo levou outro irmão e companheiro a Jesus. Assim, Jesus os chamou dois a dois e em comunhão. Nós também somos chamados, hoje, a sermos instrumentos do chamado de Deus para os irmãos e irmãs. Mas, para que vivamos isso, é importante que valorizemos o processo de vida e de descobertas que as pessoas, especialmente mais jovens, vivem. É importante que padres e educadores/as se disponham sempre ao diálogo com a juventude e possam ajudar os jovens a discernir em meio a tantas vozes e apelos da vida o chamado único e maravilhoso do Pai de misericórdia.
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

terça-feira, 7 de junho de 2016

Festividades Juninas


Junho é o mês em que a Igreja Católica celebra a memória de Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa e duas solenidades: Natividade de São João Batista, e martírio de São Pedro e São Paulo – Apóstolos. 
No Brasil, as festas juninas são populares desde o final do século XVI. As maiores comemorações são realizadas no Nordeste, onde em algumas regiões chega a ser feriado, pelo menos no dia de São João. A alegria é a marca das festas, com diversos eventos folclóricos importados ou regionais. É o tempo das danças típicas, sobretudo, quadrilha e forró, adivinhações, comidas de milho, fogueira, fogos, etc. O Arraial ou “Arraiá”, onde tudo acontece, lembra as comemorações juninas no campo, também chamado roça. Costuma-se enfeitar o local com bandeirinhas de papel, lanternas e palhas de coqueiro É um mês de muitas alegrias e entretenimentos para celebrar a memória de grandes nomes de nossa Igreja, pessoas que levaram a sério o chamado do Senhor e são venerados como santos.
Santo Antônio, celebrado no dia 13, nasceu em Lisboa (Portugal) em 1195 e morreu nas vizinhanças de Pádua (Itália) em 1231. Uma vida relativamente curta, vivida intensamente e com muitos frutos. No batismo recebeu o nome de Fernando, passando a chamar-se Antônio no momento em que fez sua profissão religiosa na recém-aprovada Ordem dos Frades Menores, quando ainda vivia seu fundador Francisco de Assis. Santo Antônio era Agostiniano e passou para a ordem franciscana após assistir à chegada dos corpos dos cinco primeiros missionários franciscanos enviados a Marrocos, na África, em 1220, e lá trucidados pela fé. Antônio desejou substituí-los, porém, Deus tinha outros planos, conduzindo-o para a Itália onde realizou um grande trabalho como professor de Teologia para os seus confrades e eficiente pregador, atraindo muitas almas para a prática da doutrina cristã. Era um frade extremamente humilde e servidor e à sua intercessão são atribuídos diversos milagres, inclusive em vida, daí a sua popularidade, não somente em Portugal e Itália, mas no mundo inteiro, especialmente no Brasil que recebeu grande influência da cultura e religiosidade portuguesa. Santo Antônio foi proclamado Doutor da Igreja em 1946 pelo Papa Pio XII, pelos seus numerosos escritos de profundo conteúdo teológico, doutrinal e pastoral.
São João Batista, pela sua grande importância na História da Salvação, é celebrado duas vezes durante o Ano Litúrgico: dia 24 de junho, a sua natividade, e dia 29 de agosto, o seu martírio. João era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima de Nossa Senhora. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo anjo Gabriel. Foi João quem preparou os caminhos do Senhor, convidando todos a mudar de vida e acolher o Reino de Deus. Nas águas do rio Jordão, oferecia o batismo de conversão para todos que desejassem mudar de vida, acolhendo a proposta do Reino. Destacou-se pela humildade, vida penitente e coragem de denunciar os erros. Foi a denúncia da vida irregular do rei Herodes que o levou a perder a cabeça. É por isso considerado o mártir do sacramento do matrimônio.
São Pedro e São Paulo é a ultima solenidade do mês de junho. No Brasil, quando o dia 29 cai em dia de semana, a solenidade é transferida para o domingo seguinte, a fim de que uma maior quantidade de pessoas possa participar da celebração. No contexto das festas juninas, se dá uma maior ênfase a São Pedro. São Paulo é mais celebrado no dia 25 de janeiro, festa de sua conversão. Pedro, Pescador da Galiléia, de temperamento impulsivo, foi escolhido por Jesus para líder dos Apóstolos. Foi um homem edificante, especialmente pela maneira humilde como reconhecia suas faltas, chegando às vezes às lágrimas. Jesus sempre compreendeu os limites de Pedro e o apoiava. Ele tem muito a ensinar ao homem de hoje, cheio de falhas e pecados. Ensina a não desanimar diante dos obstáculos e dificuldades pessoais e comunitárias, e seguir adiante confiando na misericórdia e proteção de Deus. São Pedro é o padroeiro dos pescadores que costumam neste dia realizar procissões em mares e rios.
Em nossa Arquidiocese de Olinda e Recife temos várias paróquias e comunidades dedicadas a estes santos, especialmente Santo Antônio, padroeiro principal de nossa Arquidiocese, da Cidade do Recife e do Estado de Pernambuco. Conforme o Diretório Litúrgico da CNBB, Nossa Senhora do Carmo é Padroeira da Província Eclesiástica de Pernambuco e Padroeira Secundária da Cidade do Recife.
Que o exemplo destes grandes mestres nos ajudem a viver com crescente entusiasmo a nossa fé e nos estimule na disposição de trabalhar, sempre mais, pela edificação do Reino de Deus.
Feliz mês junino para todos e todas!
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

 http://www.arquidioceseolindarecife.org/2016/05/festividades-juninas/

sábado, 16 de abril de 2016

Imagem de Nossa Senhora Aparecida chega ao Recife

 http://www.folhape.com.br/cotidiano/2016/4/imagem-de-nossa-senhora-aparecida-chega-ao-recife-0308.html

Foi com emoção e fé que os recifenses receberam a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, na noite desta sexta-feira, no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes.
Aos sons de "Romaria" e ininterruptos aplausos, a réplica foi recebida pelas mãos do arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. De lá, a imagem segue para a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Boa Viagem.
A visita da padroeira faz parte da peregrinação nas paróquias que se prepara para o jubileu de 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no Rio Paraíba, em meados de 1700.
A Rota 300 anos de Aparecida é articulada por meio da Coordenação do Santuário Nacional em diálogo com a CNBB. Durante um ano, a imagem irá visitar as 121 paróquias de cada localidade do vicariato da Arquidiocese.

  Aos sons de "Romaria", réplica foi recebida pelas mãos do arcebispoCrédito: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco   

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Calendário das Visitas Pastorais 2016

Calendário das Visitas Pastorais com dom Fernando Saburido

Veja o calendário de 2016 das visitas pastorais com dom Fernando Saburido nas paróquias:                                                  
DATA VICARIATO PARÓQUIA
02,03/04 CABO Cristo Rei Cohab
22,23,24/04 IGARASSU Ns. Sra. do Rosário  Cruz de Rebouças
20,21,22/05 OLINDA Sagrado Cor. de Jesus Águas Compridas
04,05/06 SOLEDADE – RECIFE NORTE 1 Ns. Sra. do Bom Parto Campo Grande
18,19/06 VÁRZEA- RECIFE NORTE 2   Ns. Sra. de Fátima
Mangabeira
01,02/07 BOA VIAGEM- RECIFE SUL 2   Ns. Sra. da Boa Viagem
Pracinha
12,13/08 BOA VIAGEM- RECIFE SUL 2   Ns. Sra. Aparecida
IPSEP
03, 04/09 JARDIM SÃO PAULO- RECIFE SUL 1   Santa Luzia
Estância
23, 24, 25/09 VITÓRIA   Ns. Sra. Aparecida
Vila Rica
07,08,09/10 VITÓRIA   São Vicente de Paula
Maués
04,05,06/11 OLINDA   Sagrado Cor. de Jesus
Salgadinho
COORDENAÇÃO ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL
ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nomeação dos novos membros do Colégio de Consultores


Arquidiocese divulga Nota sobre a Nomeação dos novos membros do Colégio de Consultores

Para o melhor desempenho de sua missão pastoral, cada bispo diocesano e, no caso da Igreja Particular de Olinda e Recife, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Antônio Fernando Saburido, OSB, deve constituir o Colégio de Consultores. Dentre os membros do Conselho Presbiteral, são escolhidos os membros do Colégio de Consultores, não menos que seis nem mais que doze, que desempenharão suas funções pelo período de cinco anos.

Na manhã de hoje, Dom Fernando Saburido, OSB, empossou como membros do Colégio de Consultores os reverendíssimos padres:

1. Mons. José Albérico Bezerra de Almeida (Vigário Geral),
2. Mons. Lino Rodrigues Duarte (Vigário Geral),
3. Pe. Alessandro Corazza, PSPM (Vig. Episc. do Vicariato Olinda),
4. Pe. Cícero Ferreira de Paula (Chanceler da Cúria Metropolitana),
5. Fr. Joaquim Ferreira da Luz, OCarm (Vig. Episc. do Vicariato Recife Norte 1),
6. Pe. Josivaldo José Bezerra (Vig. Episc. do Vicariato Cabo),
7. Pe. Maurício Roberto Diniz Souza (Vig. Episc. do Vicariato Vitória),
8. Pe. Miguel Batista de M. Neto, SCJ (Vig. Episc. do Vicariato Recife Norte 2),
9. Fr. Paulo Amâncio de Freitas, OFMCap (Vig. Episc. para a vida religiosa e consagrada),
10. Pe. Paulo Sérgio Vieira Leite (Vig. Episc. do Vicariato Recife Sul 2),
11. Pe. Sérgio Pereira da Silva (Vig. Episc. do Vicariato Recife Sul 1).

O Colégio de Consultores é presidido pelo Arcebispo Metropolitano e suas funções são determinadas pelo Código de Direito Canônico, dentre as quais: ficando vacante a Sé, o Conselho Presbiteral cessa e suas funções são desempenhadas pelo Colégio de Consultores (cf. Cân. 501); no prazo de oito dias depois da notícia da vacância da Sé, o Bispo Auxiliar ou o presbítero mais antigo do Colégio de Consultores deve convocar os demais membros para eleger o Administrador Diocesano, que governará provisoriamente a Igreja Particular (cf. Cân. 421), a menos que a Santa Sé tenha providenciado de outro modo; na falta do Bispo Auxiliar, cabe ao Colégio de Consultores comunicar a Santa Sé da morte do Bispo Diocesano; no desempenho de suas atribuições, há momentos em que tanto o Bispo quanto o Administrador Diocesano precisam do consenso do Colégio de Consultores para a tomada de algumas decisões.

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mensagem de D. Fernando Saburido para a Quaresma



Recife, 22 de fevereiro de 2012,
Quarta-feira de Cinzas.

“Você abandonou o seu primeiro amor. Repare onde você caiu. Converta-se e retome o caminho de antes. Caso contrário, se não se converter, eu chego e arranco da posição em que está o candelabro que você tem” (Ap 2, 4- 5).


Queridos irmãos e irmãs da nossa Igreja de Olinda e Recife,

Essas palavras do livro do Apocalipse podem bem servir para nos estimular comunitariamente como Igreja e, particularmente, como cristãos/ãs e ministros de Deus, nesse tempo favorável, que é o Ciclo pascal (Quaresma e Páscoa), desse ano da graça de 2012. Como vocês sabem, o livro do Apocalipse, depois da visão que o profeta João teve do Cristo ressuscitado em um domingo (cap. 1), contém sete cartas ou mensagens que o Senhor lhe dita para as Igrejas. Essas pequenas comunidades eclesiais da Ásia Menor, situadas na periferia do Império e em meio a um mundo não cristão, representam as Igrejas do mundo inteiro, cada qual em sua diversidade, merecendo uma mensagem própria a partir de seu contexto histórico e em que etapa se encontra no caminho da fé. Dessas, a primeira comunidade eclesial é a Igreja de Éfeso, cidade importante da Ásia Menor, atual Turquia. A carta ditada pelo Cristo para a comunidade de Éfeso reconhece que se trata de uma Igreja bem organizada e fiel. “Conheço a sua boa conduta, o seu esforço e sua perseverança” (Ap 2,3). Porém, logo o Senhor se sente obrigado a dizer: “Mas tenho uma coisa contra você: ter abandonado o seu primeiro amor”. Na Bíblia, “o primeiro amor” é aquele sobre o qual o profeta Jeremias fala: “Assim diz o Senhor: ‘Lembro-me, a favor de ti, do entusiasmo da tua juventude, do amor do teu tempo de noivado, quando me seguias pelo deserto e vivias em uma terra não semeada’ ” (Jr 2,2). Também através do profeta Oséias, Deus propõe a Israel: “Eu vou atraí-la e a conduzir novamente ao deserto. Ali lhe falarei ao coração. (…) Ali, ela me responderá como nos dias de sua juventude, como no dia em que eu a tirei da terra do Egito. Naquele dia, diz o Senhor, ela me chamará ‘meu esposo’ e não me terá mais como um ídolo” (Os 2,14-16).

Percebemos que tanto os profetas do primeiro testamento como o livro do Apocalipse se referem ao tempo do primeiro amor ou ao entusiasmo da juventude da comunidade, como sendo o período do Êxodo, especificamente o processo da libertação do Egito e do caminho pelo deserto. Então, não é por acaso que, desde os tempos antigos, a Igreja sempre dedica o primeiro domingo da Quaresma ao evangelho das tentações de Jesus no deserto. Precisamos, então, aprofundar o que, para nós, na nossa Arquidiocese, hoje, significa voltar à mística do deserto e à espiritualidade do Êxodo, para retomar o primeiro amor de nossa Igreja.

Esse tempo de retiro quaresmal e de festas pascais nos chama para nos desacomodar. Segundo o Apocalipse, a comunidade de Éfeso era muito observante e fiel, mas lhe faltava a mística, tinha perdido o encanto do primeiro amor, “o fervor que tínhamos no começo da vocação”. Muitas vezes, os padres e agentes de pastoral se sentem “pessoas especializadas em Deus” e esquecem que ele não se deixa nunca possuir e quer que o busquemos intensa e permanentemente, como a razão de ser de nossas vidas. O Deus da Bíblia sempre se manifesta na busca do seu reino. “Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6, 33). A contemplação e a busca de Deus nunca podem ser desligadas da preocupação com a justiça e a vida em sua integridade. Retomar o primeiro amor foi justamente o apelo do papa João XXIII, quando, há 50 anos, convocou o Concílio Vaticano II e o inaugurou propondo a todos os bispos e fiéis que o Concílio fosse para a Igreja e para cada católico um novo Pentecostes. Ele propôs que, para “voltar ao primeiro amor”, a Igreja deveria seguir sempre dois critérios até hoje muito atuais: 1º) a volta às fontes da fé; 2º) o aggiornamento ou o cuidado de expressar e celebrar a fé de um modo acessível às pessoas do nosso tempo. João XXIII insistia que, mesmo as mais veneráveis tradições deveriam ser revistas a partir desses dois critérios: se se ligam realmente ao Evangelho e se são acessíveis à humanidade de hoje.

Nós temos a graça de pertencer à Igreja no Brasil, uma Igreja que, no mundo inteiro, foi pioneira em colocar o Concílio Vaticano II em prática e, a partir de Medellin, soube atualizar e adaptar para o nosso país o esforço da renovação conciliar. A nossa Arquidiocese assumiu esse caminho da inculturação e se pôs em diálogo com o mundo desde os tempos de Dom Carlos Coelho. Entretanto, o grande profeta dessa abertura foi mesmo Dom Helder Camara. Ele soube unir uma profunda espiritualidade a uma preocupação permanente de falar ao coração do homem e da mulher de hoje. Sem excluir ninguém e acompanhando a todos os movimentos e grupos católicos, Dom Helder conseguiu colocar em prática a opção preferencial pelos pobres, dando força e apoio às pastorais sociais e ao acompanhamento dos movimentos populares. Retomar esse apoio hoje e viver a mística que eles propõem não seria, hoje, o nosso modo concreto de viver a espiritualidade do Êxodo, a caminhada da libertação?

Hoje, os tempos são outros e é normal que nosso método de trabalho tenha mudado, mas todos sabemos que a desigualdade social e as injustiças não somente não acabaram, como até se agravaram mais do que nas últimas décadas do século passado. Os organismos internacionais afirmam que a humanidade atingiu a marca dos sete bilhões de pessoas, das quais ao menos um bilhão vive em estado de desnutrição ou subnutrição. Não porque faltem alimentos. Ao contrário, o mundo nunca produziu tantos alimentos, mas a fome se agrava porque aumenta o número dos pobres e esses não têm como comprar. Os pobres continuam a ser explorados, sobretudo no mundo do trabalho. Na região de Suape, por exemplo, a situação dos trabalhadores é terrivelmente injusta e precária, conforme pudemos constatar em recente matéria do Diário de Pernambuco intitulada: “Os filhos de Suape”, e o relatório do Movimento dos Trabalhadores Cristãos, antiga ACO. A pergunta que fica no ar e deve ser respondida, pessoal e comunitariamente, é a seguinte: como, a esses irmãos e irmãs que vivem essas situações, podemos testemunhar o amor de Deus e a sua preferência pelo pequenino e sofredor?

Antigamente, nas comunidades eclesiais e religiosas, o bispo ou superior costumava no começo da Quaresma indicar um livro para que a comunidade de fé e cada irmão o lessem e aprofundassem, especialmente no tempo quaresmal. Na regra para os monges, São Bento retoma esse costume e propõe que o abade indique para cada irmão ou irmã um livro da Biblioteca que, naquele tempo, possuía especificamente livros da Bíblia ou dos santos pais antigos. Recordando, hoje, esse costume, gostaria de propor a vocês que nesse tempo de Quaresma e Páscoa, cada padre, diácono, seminarista, religiosa, religioso, leigas e leigas possa ler ou reler e meditar três documentos dos 16 do Concílio Vaticano II. Penso especificamente na Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium), na Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus (Verbum Dei) e a Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje (Gaudium et Spes).

Nossa Arquidiocese está preparando o seu plano de pastoral para os próximos anos. Diversos encontros e reuniões já foram realizados para que esse plano seja elaborado a partir do diálogo e da participação de toda a nossa Igreja. Nesse plano, necessitamos concretizar nosso apoio e abertura para as pastorais sociais como um modo espiritual de retomar a mística do Êxodo e de ser fiel à caminhada própria da Igreja em nosso continente. Que possamos atualizar, em nossa Arquidiocese, a palavra que os bispos latino-americanos propuseram ao querer traduzir o espírito do Concílio Vaticano II: “Que se apresente cada vez mais nítido, na América Latina, o rosto de uma Igreja autenticamente pobre, missionária e pascal, desligada de todo o poder temporal e corajosamente comprometida na libertação de todo o ser humano e de toda a humanidade” (Medellin 5,15a).

Que a celebração quaresmal e pascal de 2012 seja para nós um sacramento de conversão profunda de nossas vidas a esse projeto divino. E o Cristo ressuscitado, como dizia São João Crisóstomo, fará de nossas vidas, mesmo no meio das lutas e das dores, uma festa permanente.
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife