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terça-feira, 7 de junho de 2016

Festividades Juninas


Junho é o mês em que a Igreja Católica celebra a memória de Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa e duas solenidades: Natividade de São João Batista, e martírio de São Pedro e São Paulo – Apóstolos. 
No Brasil, as festas juninas são populares desde o final do século XVI. As maiores comemorações são realizadas no Nordeste, onde em algumas regiões chega a ser feriado, pelo menos no dia de São João. A alegria é a marca das festas, com diversos eventos folclóricos importados ou regionais. É o tempo das danças típicas, sobretudo, quadrilha e forró, adivinhações, comidas de milho, fogueira, fogos, etc. O Arraial ou “Arraiá”, onde tudo acontece, lembra as comemorações juninas no campo, também chamado roça. Costuma-se enfeitar o local com bandeirinhas de papel, lanternas e palhas de coqueiro É um mês de muitas alegrias e entretenimentos para celebrar a memória de grandes nomes de nossa Igreja, pessoas que levaram a sério o chamado do Senhor e são venerados como santos.
Santo Antônio, celebrado no dia 13, nasceu em Lisboa (Portugal) em 1195 e morreu nas vizinhanças de Pádua (Itália) em 1231. Uma vida relativamente curta, vivida intensamente e com muitos frutos. No batismo recebeu o nome de Fernando, passando a chamar-se Antônio no momento em que fez sua profissão religiosa na recém-aprovada Ordem dos Frades Menores, quando ainda vivia seu fundador Francisco de Assis. Santo Antônio era Agostiniano e passou para a ordem franciscana após assistir à chegada dos corpos dos cinco primeiros missionários franciscanos enviados a Marrocos, na África, em 1220, e lá trucidados pela fé. Antônio desejou substituí-los, porém, Deus tinha outros planos, conduzindo-o para a Itália onde realizou um grande trabalho como professor de Teologia para os seus confrades e eficiente pregador, atraindo muitas almas para a prática da doutrina cristã. Era um frade extremamente humilde e servidor e à sua intercessão são atribuídos diversos milagres, inclusive em vida, daí a sua popularidade, não somente em Portugal e Itália, mas no mundo inteiro, especialmente no Brasil que recebeu grande influência da cultura e religiosidade portuguesa. Santo Antônio foi proclamado Doutor da Igreja em 1946 pelo Papa Pio XII, pelos seus numerosos escritos de profundo conteúdo teológico, doutrinal e pastoral.
São João Batista, pela sua grande importância na História da Salvação, é celebrado duas vezes durante o Ano Litúrgico: dia 24 de junho, a sua natividade, e dia 29 de agosto, o seu martírio. João era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima de Nossa Senhora. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo anjo Gabriel. Foi João quem preparou os caminhos do Senhor, convidando todos a mudar de vida e acolher o Reino de Deus. Nas águas do rio Jordão, oferecia o batismo de conversão para todos que desejassem mudar de vida, acolhendo a proposta do Reino. Destacou-se pela humildade, vida penitente e coragem de denunciar os erros. Foi a denúncia da vida irregular do rei Herodes que o levou a perder a cabeça. É por isso considerado o mártir do sacramento do matrimônio.
São Pedro e São Paulo é a ultima solenidade do mês de junho. No Brasil, quando o dia 29 cai em dia de semana, a solenidade é transferida para o domingo seguinte, a fim de que uma maior quantidade de pessoas possa participar da celebração. No contexto das festas juninas, se dá uma maior ênfase a São Pedro. São Paulo é mais celebrado no dia 25 de janeiro, festa de sua conversão. Pedro, Pescador da Galiléia, de temperamento impulsivo, foi escolhido por Jesus para líder dos Apóstolos. Foi um homem edificante, especialmente pela maneira humilde como reconhecia suas faltas, chegando às vezes às lágrimas. Jesus sempre compreendeu os limites de Pedro e o apoiava. Ele tem muito a ensinar ao homem de hoje, cheio de falhas e pecados. Ensina a não desanimar diante dos obstáculos e dificuldades pessoais e comunitárias, e seguir adiante confiando na misericórdia e proteção de Deus. São Pedro é o padroeiro dos pescadores que costumam neste dia realizar procissões em mares e rios.
Em nossa Arquidiocese de Olinda e Recife temos várias paróquias e comunidades dedicadas a estes santos, especialmente Santo Antônio, padroeiro principal de nossa Arquidiocese, da Cidade do Recife e do Estado de Pernambuco. Conforme o Diretório Litúrgico da CNBB, Nossa Senhora do Carmo é Padroeira da Província Eclesiástica de Pernambuco e Padroeira Secundária da Cidade do Recife.
Que o exemplo destes grandes mestres nos ajudem a viver com crescente entusiasmo a nossa fé e nos estimule na disposição de trabalhar, sempre mais, pela edificação do Reino de Deus.
Feliz mês junino para todos e todas!
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

 http://www.arquidioceseolindarecife.org/2016/05/festividades-juninas/

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Catálogo da Arquidiocese de Olinda e Recife


O novo Catálogo da Arquidiocese de Olinda e Recife foi lançado e entre as novidades está a organização das paróquias por Vicariatos Episcopais e  as pastorais agrupadas de acordo com as respectivas comissões.

O anuário pode ser adquirido na Cúria Metropolitana por R$ 15,00.  Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (81) 3271-4270, com Eliane. O expediente é de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h.

sábado, 30 de junho de 2012

Relatos da viagem missionária à África



Recentemente, nós bispos de Pernambuco, realizamos uma visita missionária à África, passando por Moçambique, Angola e África do Sul. Foi interessante perceber, de início, a diferença da realidade existente entre a África do Sul e os dois outros países visitados. Iniciamos a peregrinação por Moçambique. Naquele país, nos impressionou e emocionou a MISSÃO de DOMBE, localizada na província de Sofala- Diocese de Chimoio que tem à frente Dom Francisco.

São, aproximadamente, 1.200 crianças e jovens de pobreza extrema, assistidos pela Obra de Maria, Fazenda da Esperança e a comunidade das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada. Uma população de aproximadamente 90 mil habitantes, com 15 dialetos diferentes, sendo os mais comuns: O Tindal e Chona. Na área da educação, dispõe apenas da alfabetização ao 1º ano do ensino fundamental. Para continuar os estudos precisariam deslocar-se para os centros mais desenvolvidos, o que não é possível por falta de condições econômicas. Dombe não dispõe ainda de energia elétrica. Os 50 km de estrada de barro a partir do asfalto começa a ser trabalhada e, somente em 2014 será inaugurada. A população vive apenas da agricultura, sendo o milho o plantio mais comum. As três refeições que realizam durante o dia, quando é possível, são feitas à base do milho.

A cultura é patriarcal e entre eles é comum a poligamia. Existem homens que possuem até sete esposas. As mulheres são adquiridas através de dotes, pagos aos pais, em geral através de cabritos. Existe o problema do HIV (AIDS) em grande escala na população. Fala-se que, entre 10 mulheres 8 são portadoras do vírus, chamado SIDA na região. Poder contar com a assistência dos missionários na Missão de Dombe é um privilegio. São muitos os adolescentes e jovens da redondeza que chegam para estudar em Dombe, não encontrando abrigo passam a habitar em cabanas, feitas de Madeira e capim, dormindo no chão, sobre esteiras de palha.

Chamou-nos, particular atenção a situação da Igreja em Maputo que está enfrentando perseguição. No dia em que dois dos nossos irmãos, Dom Pepeu e Dom Magnus, chegaram à capital de Moçambique, o Arcebispo Dom Francisco Chimoio (capuchinho) estava celebrando o funeral de um sacerdote assassinado. Isto tem acontecido com frequência com membros da Igreja Católica e ainda não se sabe a identidade do ou dos criminosos, nem os motivos das mortes.

Antes de tomar o avião para Angola, tivemos oportunidade de dar um giro em Joannesburg, cidade onde aconteceu a abertura e encerramento da Copa do Mundo de 2010 e visitar a residência do grande líder Nelson Mandela.

Em Angola, chamou-nos particular atenção a visita à Cabinda, região que luta pela sua independência. No aeroporto nos esperava o Bispo Diocesano Dom Filomeno, pessoa simpaticíssima que ao ser nomeado Bispo de Cabinda sofreu rejeição por não ser nativo, pois provinha da capital de Angola (Luanda). Atualmente, tem grande aceitação e nos acompanhou durante todo o dia com atenção e amabilidade.

Na catedral, com a Igreja superlotada ,e com muita animação, concelebramos a Eucaristia. O povo nos saudava com carinho, cantava e dançava com entusiasmo tal que nos deixou impressionados. Da catedral fomos à casa da Obra de Maria e Seminário Propedêutico. Em seguida fomos à casa do bispo onde nos reunimos com sacerdotes e religiosas que assumem funções de liderança na diocese, para troca de experiências pastorais. Dom Filomeno iniciou com o questionamento: “como lida o Brasil com o problema da fome e AIDS?”. Todos participaram do debate e fomos além do tema, com diálogo muito proveitoso para os dois grupos.

É visível da parte dos africanos, pelo menos nestes três países visitados, o carinho pelo Brasil e seu povo. A todo o momento passava pela nossa memória os séculos de escravidão no Brasil, quando inúmeros africanos foram trazidos à força para aqui servirem com humilhações e maus tratos. Em algumas celebrações, inclusive, tivemos oportunidade de pedir perdão por esta história vergonhosa de nossa nação brasileira. O povo africano é simples e alegre e parece não guardar mágoas deste passado nebuloso, fato que confirma sua grandeza e capacidade de amar e perdoar.

Africa, 11 de Maio de 2012
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

Fonte:http://www.arquidioceseolindarecife.org/