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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

JUBILEU DOS CATEQUISTAS – Programação 23 a 25 de setembro


Jubileu dos catequistas se inspira no lema do pontificado do Papa Francisco “Miserando atque eligendo (Olhou-o com amor e escolheu-o).


O evento, agendado no âmbito do Ano da Misericórdia, terá lugar em Roma de 23 a 25 de Setembro de 2016. O objetivo do evento, além de dar a oportunidade aos participantes de receber a Indulgência Jubilar, pretende recordar que a catequese e a educação religiosa - realizada pelos catequistas, professores de religião e educadores - é a primeira das obras de misericórdia espirituais: “Ensinar os ignorantes”. O Papa, na Misericordiae vultus, convida a contemplar e a pôr em prática estas obras de Misericórdia durante o Jubileu. A catequese, na verdade, é uma obra de misericórdia, porque aproxima aqueles que não conhecem Deus e ajuda aqueles que já O conhecem a amá-lo e a conhecê-lo ainda mais.
O Jubileu dos catequistas se inspira no lema do pontificado do Papa Francisco “Miserando atque eligendo (Olhou-o com amor e escolheu-o), que se refere a uma das homilias de São Beda o Venerável, Sacerdote (Hom 21; CCL 122, 149-151), onde se narra o chamamento de Jesus ao Apóstolo São Mateus.
Dentre as atividades marcadas, o Jubileu dos catequistas começará na tarde do dia 23 de Setembro com uma catequese sobre a vocação de S. Mateus. Os participantes serão distribuídos segundo as línguas em várias igrejas do centro de Roma. Junto da igreja de São Luís dos Franceses, os peregrinos serão convidados a contemplar a misericórdia divina através de uma das pinturas mais famosas do mundo que retrata a Vocação de São Mateus, localizada na Capela Contarelli dessa mesma igreja. A obra faz parte de uma série de pinturas sobre São Mateus Evangelista, que foram feitas por Caravaggio entre 1599 e 1600.
No dia seguinte, nas várias igrejas Jubilares, os catequistas terão a oportunidade de se preparar para a peregrinação que os conduzirá à Porta Santa da Basílica de São Pedro. Está prevista para estes momentos a adoração eucarística, a oração e a Lectio divina. Haverá também a possibilidade de celebrar o sacramento da Reconciliação durante todo o evento. Na peregrinação para a Porta Santa, os participantes poderão admirar alguns dos rostos de santos e beatos catequistas mais conhecidos, através dos quais se manifesta a misericórdia de Deus. Na tarde, o programa conclui-se com as Vésperas na Basílica de São João de Latrão que iniciarão com alguns testemunhos de catequistas provenientes de situações particularmente difíceis.
No Domingo às 10h00, na Praça de São Pedro, o Santo Padre Francisco presidirá à Santa Missa, com a qual se concluirá o Jubileu dos Catequistas.
A Vocação de São Mateus na obra de Caravaggio
A Vocação de São Mateus, também conhecida como O Chamado de São Mateus é uma pintura a óleo sobre tela feita pelo pintor italiano Michelangelo Merisi, conhecido no mundo inteiro como Caravaggio,  em torno ao ano de 1599. A obra faz parte de um grupo de três pinturas do mesmo autor para a capela do Cardeal Matteo Contarelli na Igreja de São Luís dos Franceses (em italiano San Luigi dei Francesi), localizada em Roma. 

A pintura representa o episódio evangélico (Mateus 9, 9-13, Marcos 2, 13-17 e Lucas 5, 27-28) e retrata o primeiro encontro entre Jesus e Mateus, um coletor de impostos que abandona o emprego para seguir Jesus.
A cena se passa em local pouco iluminado, onde a luz fraca é proveniente de uma janela. Mateus está sentado em uma mesa com outros quatro coletores de impostos que estão a contar o dinheiro. Todos estão vestidos com roupas modernas (como aquelas em uso na época de Caravaggio); é uma das primeiras vezes que foi representado um evento sagrado no presente e com grande realismo.

Detalhe de Jesus e Pedro
À direita duas figuras interrompem a cena: elas são Cristo e São Pedro. Um feixe de luz ilumina  os rostos, mãos e partes do vestuário, deixando o resto na escuridão. Jesus, com um gesto imperioso da mão estendida, mostra Mateus, o qual com o dedo apontado para si mesmo, surpreso parece perguntar a Cristo: "Estais me chamando? Eu mesmo?".
Detalhe: Criação de Adão, Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina
Reparem como a mão estendida de Cristo lembra muito a mão feita por Michelangelo na Capela Sistina. Certamente Caravaggio teve muitas oportunidades de ver e estudar a obra de Michelangelo.
Os dois mais jovens, também coletores de impostos, se voltam para Cristo, mas parecem não compreender a magnitude do evento. Outros nem sequer levantam a cabeça e continuam a contar o dinheiro.
A Vocação de São Mateus marca um ponto de virada na forma como Caravaggio ilumina suas obras: nos quadros anteriores a sua pintura ainda é “clara”, as imagens são nítidas, sem contrastes, a luz é mais generalizada.
Detalhe do feixe de luz que ilumina a cena e guia o expectador
A partir deste momento, a iluminação da cena torna-se direcional: a luz perfura a escuridão a partir de diferentes ângulos com uma violenta intensidade dramática. A obra ganha vida e movimento por causa da luz e os personagens se movimentam como se fossem atores em  cima de um palco.
A luz, na Vocação de São Mateus é o símbolo da Graça Divina que afeta todos os homens: Mateus, no entanto, é o único a atender o chamado de Jesus. Ele é a transposição pictórica do conceito do livre-arbítrio: Cada homem pode optar por seguir ou não o caminho da salvação. Não devemos esquecer que a Igreja de San Luigi representava a nação francesa e, naquele momento, o rei da França, Henrique IV, tinha acabado de se converter ao catolicismo, de modo a escolher a Salvação.
Detalhe: São Mateus com o dedo voltado para si
A obra foi restaurada em 1939 e depois em 1965. As radiografias feitas durante a restauração revelam que a figura de São Pedro foi adicionada em uma data posterior, provavelmente para inserir no quadro uma referência direta á Igreja, a mediadora entre Deus e o homem.
Onde ver:
Igreja San Luigi dei Francesi
Piazza di San Luigi dei Francesi – Roma

FONTES:

sábado, 9 de abril de 2016

Exortação do Papa sobre a família é publicada no Vaticano


"A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja. Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio, 'o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja'. Como resposta a este anseio, 'o anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia'", assim escreve o Papa Francisco no início da Exortação Apostólica pós-sinodal 'Amoris Laetitia', que significa 'A alegria do amor', divulgada hoje (08), no Vaticano. 
Papa com noivos no Vaticano
O documento reúne os resultados dos dois Sínodos sobre a família convocados pelo Papa Francisco em 2014 e 2015 e contribuições de fiéis no mundo inteiro. 
Francisco destaca no início do texto que a caminhada sinodal permitiu analisar a situação das famílias no mundo atual, alargar a perspectiva e reavivar a consciência sobre a importância do matrimônio e da família. O documento afirma ainda que questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais complexas tem necessidade de contínuo aprofudamento "com liberdade". 
Francisco disse ainda que redigiu o documento para "orientar a reflexão, o diálogo ou a práxis pastoral" e oferecer "coragem, estímulo e ajuda às famílias na sua doação e nas suas dificuldades". 
coletiva_vaticano_exortacaoO texto foi apresentado durante duas horas em uma coletiva com o Secretário do Sínodo dos Bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, o Arcebispo de Viena, Cardeal Christoph Schönborn, o sub-secretário do Sínodo dos Bispos, Monsenhor Fabio Fabene e o casal Francesco Miano e Giuseppina De Simone em Miano. A Exortação tem 270 páginas, nove capítulos e encerra com uma oração final à Sagrada Família. 
Segundo os relatores a chave de leitura para o documento é a "misericórdia pastoral", dada a publicação do documento ocorrer na celebração do Jubileu da Misericórdia. 
Em mais de 300 pontos, o Papa dedica a sua atenção à situação atual das famílias e os seus numerosos desafios, desde o fenômeno migratório à “ideologia de gênero”; da cultura do “provisório” à mentalidade “antinatalidade”, passando pelos dramas do abuso de menores.
A Exortação apresenta um olhar positivo sobre a família e o matrimônio, face ao individualismo que se limita a procurar “a satisfação das aspirações pessoais”.
O Papa observa que a apresentação de “um ideal teológico do matrimônio” não pode estar distante da “situação concreta e das possibilidades efetivas” das famílias “tais como são”, desejando que o discurso católico supere a “simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais”.
Nesse sentido, propõe uma pastoral “positiva, acolhedora, que torna possível um aprofundamento gradual das exigências do Evangelho”.
Católicos divorciados
A respeito dos católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, o documento quer abrir um caminho de “discernimento”, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.“Não se devia esperar do Sínodo ou desta exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos”, sublinha Francisco. Tal como aconteceu com o relatório final da assembleia de outubro de 2015, a exortação apostólica pós-sinodal não aborda diretamente a possibilidade de acesso à Comunhão pelos divorciados recasados, que é negada pela Igreja Católica. Entretanto, em uma das notas do texto, o Papa observa que "o discernimento pode reconhecer que, numa situação particular, não há culpa grave". "Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho", escreve Francisco.
O Papa apresenta critérios de reflexão, recordando que há “condicionamentos” e “circunstâncias atenuantes” que podem anular ou diminuir a responsabilidade de uma ação.“Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal”, precisa. Estas pessoas precisam da "ajuda da Igreja", procurando os "caminhos possíveis de resposta a Deus", e "em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos".
Preparação matrimonial 
A Exortação sublinha ainda a importância da orientação dos noivos na preparação para o Matrimônio e do acompanhamento dos casais nos primeiros anos da vida matrimonial e também em algumas “situações complexas” ou “crises”. “É preciso ajudar os jovens a descobrir o valor e a riqueza do Matrimônio”, escreve o Papa.
“A complexa realidade social e os desafios, que a família é chamada a enfrentar atualmente, exigem um maior empenhamento de toda a comunidade cristã na preparação dos noivos”, refere o texto. 
Neste contexto, o pontífice sustenta que só a “união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher” realiza uma função social plena, “por ser um compromisso estável e tornar possível a fecundidade”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Palavras do Papa sobre a CFE 2016

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Em sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde 1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca”. (Am 5, 24).

É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Mas, desta vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com a Misereor, iniciativa dos católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental.

Na encíclica Laudato Si´, recordei que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos” (n.30) e que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover da água limpa e saneamento as populações mais pobres (cf. ibid.) E, numa perspectiva de ecologia integral, procurarei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que “a deterioração do meio ambiente e da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta” (n. 48).

Aprofundemos a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Ela “deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático” (Laudato Si´, n. 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos “a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor” e descobrimos que Jesus quer “que toquemos a carne sofredora dos outros” (Evangelii Gaudium, n. 270), dedicando-nos ao “cuidado generoso e cheio de ternura” (Laudato Si´, n. 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.

Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e os que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedida a Deus: “ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e paz (Laudato Si´, n. 246). Aproveito a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedido, que, por favor, não deixem de rezar por mim.

Papa Francisco


quinta-feira, 20 de março de 2014

Papa Francisco envia mensagem para a Campanha da Fraternidade 2014


Por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2014, que aborda o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" e o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou",  o papa Francisco enviou mensagem aos bispos da CNBB e  a todos os fiéis das dioceses, paróquias e comunidades do Brasil. No texto, o papa afirma que o tráfico de pessoas é uma “uma chaga social”.
“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano!”, destacou Francisco. 
Ao final da mensagem, Francisco concedeu bênção apostólica a todos os brasileiros desejando uma Quaresma de vida nova em Cristo.

Confira a íntegra da mensagem:

Queridos brasileiros,
Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recordo a vitória da Páscoa: <<É para a liberdade que Cristo nos libertou>> (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: <<Estás livre! Vai e ajuda os teus irmãos a serem livres!>>. Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõe este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.
Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! <<A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência>> (Discurso aos novos Embaixadores, 12/XII/2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?
Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais... E isso – pasmem! A troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós:<< “Abbá, Pai!”>> (cf. Gal 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).
Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.
Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.
Francisco

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O tempo do Advento nos restitui o horizonte da esperança




As palavras do papa Francisco durante o Angelus
CIDADE DO VATICANO, 01 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Eis as palavras pronunciadas pelo Papa Francisco aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro hoje, às 12h00 (hora local), durante a recitação da oração do Angelus.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Iniciamos hoje, Primeiro Domingo do Advento, um novo ano litúrgico, isso é, um novo caminho do Povo de Deus com Jesus Cristo, o nosso Pastor, que nos guia na história para o cumprimento do Reino de Deus. Por isto, este dia tem um encanto especial, nos faz experimentar um sentimento profundo do sentido da história. Redescobrimos a beleza de estar todos em caminho: a Igreja, com a sua vocação e missão, e toda a humanidade, os povos, as culturas, todos em caminho pelos caminhos do tempo.
Mas em caminho para onde? Há uma meta comum? E qual é esta meta? O Senhor nos responde através do profeta Isaías, e diz assim: “No fim dos tempos acontecerá/ que o monte da casa do Senhor/ estará colocado à frente das montanhas/ e dominará as colinas./ Para aí correrão todas as gentes,/ e os povos virão em multidão:/ “Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor,/ à casa do Deus de Jacó:/ ele nos ensinará seus caminhos,/ e nós trilharemos as suas veredas”” (2, 2-3). Isto é aquilo que nos diz Isaías sobre a meta para onde vamos. É uma peregrinação universal para uma meta comum, que no Antigo Testamento é Jerusalém, onde surge o templo do Senhor, porque dali, de Jerusalém, veio a revelação da face de Deus e da sua lei. A revelação encontrou em Jesus Cristo o seu cumprimento, e o “templo do Senhor” tornou-se Ele mesmo, o Verbo feito carne: é Ele o guia e junto à meta da nossa peregrinação, da peregrinação de todo o Povo de Deus; e à sua luz também outros povos possam caminhar rumo ao Reino da justiça, rumo ao Reino da paz. Diz ainda o profeta: “De suas espadas forjarão relhas de arados,/ e de suas lanças, foices./ Uma nação não levantará a espada contra a outra,/ e não se arrastarão mais para a guerra” (2, 4). Permito-me repetir isto que nos diz o Profeta, escutem bem: “De suas espadas forjarão relhas de arados,/ e de suas lanças, foices./ Uma nação não levantará a espada contra a outra,/ e não se arrastarão mais para a guerra”. Mas quando acontecerá isto? Que belo dia será, no qual as armas serão desmontadas, para se transformar em instrumentos de trabalho! Que belo dia será aquele! Que belo dia será aquele! E isto é possível! Apostemos na esperança, na esperança da paz, e será possível!
Este caminho não está nunca concluído. Como na vida de cada um de nós, há sempre necessidade de começar de novo, de levantar-se, de reencontrar o sentido da meta da própria existência, assim, para a grande família humana é necessário renovar sempre o horizonte comum rumo ao qual somos encaminhados. O horizonte da esperança! Este é o horizonte para fazer um bom caminho. O tempo do Advento, que hoje começamos de novo, nos restitui o horizonte da esperança, uma esperança que não desilude porque é fundada na Palavra de Deus. Uma esperança que não desilude, simplesmente porque o Senhor não desilude nunca! Ele é fiel! Ele não desilude! Pensemos e sintamos esta beleza.
O modelo desta atitude espiritual, deste modo de ser e de caminhar na vida é a Virgem Maria. Uma simples moça do campo, que leva no coração toda a esperança de Deus! Em seu ventre, a esperança de Deus tomou carne, fez-se homem, fez-se história: Jesus Cristo. O seu Magnificat é o cântico do Povo de Deus em caminho, e de todos os homens e mulheres que esperam em Deus, no poder da sua misericórdia. Deixemo-nos guiar por ela, que é mãe, é mãe e sabe como guiar-nos. Deixemo-nos guiar por ela neste tempo de espera e de vigilância ativa.
A todos desejo um bom início de Advento. Bom almoço e até mais!
(Tradução: CN notícias)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Homilia do Santo Padre na santa missa da Jornada dos catequistas, em 29 de setembro.



Francisco: "Se perdermos a memória de Deus também nós perdemos a consistência"

Roma, 29 de Setembro de 2013 (Zenit.org) |
Na manhã desse domingo às 10.30 (hora de Roma), o santo padre celebrou a santa missa pela Jornada dos Catequistas, por ocasião do Ano da Fé, na praça de São Pedro. Publicamos a seguir a homilia:
1 . “Ai dos despreocupados de Sião e daqueles que se consideram tranquilos, ... deitados em leitos de marfim” (Am 6,1.4 ), comem, bebem, cantam, se divertem e não se preocupam com os problemas das outras pessoas.
Estas palavras do profeta Amós são duras, mas chamam a atenção sobre um perigo que todos nós corremos. O que é que este mensageiro de Deus denuncia, o que é que coloca diante dos olhos de seus contemporâneos e até mesmo diante de nossos olhos hoje? O risco do conforto, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de colocar no centro da nossa vida o nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todos os dias se dava abundantes banquetes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha nada para matar a fome? Não era problema dele, não lhe dizia respeito. Se as coisas, o dinheiro, a mundanidade se tornam o centro da vida, elas nos prendem, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: olhem bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente “um rico”. As coisas, o que possui, são o seu rosto, não tem outros.
Mas tentemos perguntar-nos: por que é que isso acontece? Como é possível que os homens, talvez também nós, caiamos no perigo de encerrar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no final das contas nos roubam o rosto, o nosso rosto humano? Isso acontece quando perdemos a memória de Deus. " Ai dos despreocupados de Sião", dizia o profeta. Se não há memória de Deus, tudo fica nivelado, tudo vai para o ego, para o meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, até nós mesmos perdemos consistência, até nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada torna-se ele mesmo um nada – diz outro grande profeta, Jeremias (cf. Jer 2,5 ) . Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!
2 . Agora, olhando para vocês, me pergunto: quem é o catequista? É aquele que protege e nutre a memória de Deus; a guarda em si mesmo e sabe despertá-la nos outros. É bonito isso: fazer memória de Deus, como Nossa Senhora que, diante da ação maravilhosa de Deus na sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e de ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Vai, visita à anciã parente Isabel, também grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela o seu primeiro ato é a memória do atuar de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “A minha alma engrandece ao Senhor ... pois olhou para a humildade da sua serva... de geração em geração a sua misericórdia " (Lc 1,46.48.50 ) . Maria tem memória de Deus.
Neste cântico de Maria tem também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E assim é para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém precisamente a memória da história de Deus conosco, a memória do encontro com Deus, que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma; a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas ações de salvação com que nos dá vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta. O catequista é precisamente  um cristão que coloca esta memória ao serviço do anúncio; não para se mostrar, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, ou seja, a doutrina na sua totalidade, sem tirar ou acrescentar.
São Paulo aconselha especialmente ao seu discípulo e colaborador Timóteo uma coisa: “lembra-te, lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, que eu anuncio e pelo qual sofro (cf. 2 Tm 2, 8-9). Mas o apóstolo pode dizer isso porque ele se lembrou primeiro de Cristo, que o chamou quando era um perseguidor dos cristãos, o tocou e transformou com a sua Graça.
O catequista, então, é um cristão que carrega consigo a memória de Deus, se deixa guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe como despertá-la no coração dos outros. Isso é exigente! Compromete toda a vida! O que é o mesmo Catecismo, senão memória de Deus, memória da sua ação na história, do seu ter-se feito próximo em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor? Caros catequistas, pergunto-lhes: nós somos memória de Deus? Somos realmente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?
3. "“Ai dos despreocupados de Sião", diz o profeta. Qual o caminho a ser seguido para não virar pessoas “despreocupadas”, que colocam a sua segurança em si mesmas e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na segunda leitura, São Paulo, escrevendo a Timóteo, dá algumas indicações que podem marcar também a trajetória do catequista, o nosso caminho: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (cf. 1 Tm 6 , 11) .
O catequista é homem da memória de Deus  se tiver um relacionamento constante, vital com Ele e com os outros; se for homem de fé, que confia realmente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se for homem de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se for homem de “hypomoné”, de paciência, de perseverança, que sabe lidar com as dificuldades, provações, fracassos, com serenidade e esperança no Senhor; se for  homem manso, capaz de compreensão e de misericórdia.
Peçamos ao Senhor para sermos todos homens e mulheres que guardem e alimentem a memória de Deus na própria vida e saibam despertá-la no coração dos outros. Amén.
Tradução Thácio Siqueira